diários de recife – 1

por J

Recife, minha amante desdentada.

Ela nunca atende, ela vem ao acaso. Com ela passo sobre e sob pontes, vejo cães, ratazanas, um luadouro amarelo. Só pude amá-la sob a luz mais bonita da manhã, que aqui sai mais cedo do que em outros cantos. Pode-se acordar para observá-la; mas é mais fácil enganar o universo, retorcer o tempo e visitar a manhã pelo avesso, depois do excesso.

Dou-lhe as mãos e imagino a vida atrás das janelas. Espio. Rompantes. Terra e areia. Vento do mar. Chinelos. Tem hora que você se veste e se pinta, tem hora que não; vem em pêlo, sangrando, e eu te recebo, impassível, mal respiro.

caralhodebrennand

Aprendi a não te esperar, mesmo sabendo

que hoje você vem.

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