O diário das amenidades

por J

Hoje na rua vi um senhor em uma incrível bicicleta adaptada com um volante. Parei e fiquei observando, completamente maravilhada, sem palavras. Uns dois rapazes, ao meu lado, contorciam-se de rir.

Eu não. Eu só fiquei maravilhada, mesmo.

Esqueci a carteira em casa depois de comer um quibe, e pedi à moça, morrendo de vergonha, para ir lá pegar meu dinheiro e voltar para pagar. Ela disse que tudo bem. Mas algo me diz que se minha aparência fosse um pouco diferente ela não diria que tudo bem.

Recebi um postal alemão com escritos em português. Ainda não traduzi os dizeres em alemão. Mas me alegraram os dizeres em português.

Matei uma aula para andar pela cidade. Acho que qualquer professor se sentiria ofendido se eu dissesse que matei não por estar com cólicas ou por ter que trabalhar, mas porque queria andar pela cidade. Mas não deveriam se sentir assim. Andar pela cidade, para mim, às vezes é realmente muito importante.

Minha pele já se acostumou à proximidade do verão. E me coloco a calangar por qualquer fresta que houver luz, amoreno-me, a pele sorri. Ela sempre se doura satisfeita. Minha pele saúda o sol.

Falei dele de novo. Mas dessa vez não falei só mal. Se não falei só mal, é porque vejo tudo mais claro, porque obviamente, nem tudo foi mau. E mesmo assim, meu coração se acelerou um pouco de novo. Há quanto tempo. Mariposas, vocês por aqui. Ainda não são borboletas, mas quem sabe um dia não voltemos à programação normal.

Anúncios