deus ex machina

por J

você mexe com o que há de mais maniqueísta dentro de mim. algo meio cristão do primeiro testamento. onde tem certo e tem errado, vilão e mocinho. só não teve começo, porque vivemos um final desde o princípio.

como no Levítico e em toda fábula, apologiza-se a moral arrasadora, o punho de um deus de justiça, arqueando as mãos gigantes e invisíveis para que o Bem vença o Mal.

eu sei que o final será feliz pra alguém, e, como personagem, desejava secretamente que logo viesse o ansiado encerramento glorioso de uma sofrida epopéia. esperando. e aí. hm. talvez esteja muito cedo pra chamar isso de final. o final é tudo o que vem depois, que acontece no “para sempre”? não sei. no momento que as histórias se desfiam, talvez haja finais, assim, mais de um. ou melhor, um pra cada.

eu não me contentaria que nós dois tivéssemos, cada um no seu caminho, o seu final feliz. seria injusto pra caralho.

porque você mexe com o que há de mais maniqueísta dentro de mim. algo meio cristão do primeiro testamento. e eu ainda estou esperando agir o punho gigante e invisível do deus vingador, sem perceber que, nesse exato momento, talvez o monarca me aperte com cada um de seus infinitos dedos.

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