carta I

por J

seu jeito me zanga

e seu cheiro me sangra

eterno desalento
grudado nas narinas

o frio me machuca
maltrata a minha pele
desata os pés em dores
as costas em arrepios

os brios doem.

o apetite some
nunca bebi tanto
como nessa semana, meu deus
nunca na vida
e isso te faria tão, tão insatisfeito

eu olho ao redor, e tudo me soa idiota

televisão, todas as cores, os plásticos
as toalhas de mesa, os letreiros luminosos
apáticos, imbecis

nesses dias
me machucam
até mesmo
as tesouras

sem ponta.

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