Onde eu estive

por J

Na escuridão do quarto, na desordem de um desmazelo quase inevitável. Sem vontade de comer. Sem vontade de ler. Sem vontade de escutar. Sem vontade de escrever. Sem vontade nem de ouvir o barulho do obturador. Pensando em coisas que eu deveria ter dito, pensando em coisas que ainda posso dizer.

Juntando tudo aos pouquinhos, esperando sons inesperados pela janela. Tem horas que é tudo o que eu espero. Tem horas que eu espero outras coisas, escuto outros sons sem me incomodar. Tem horas que eu abro a janela e vou deixando a luz do sol entrar através dos vidros e dos buracos, amarelada, aos pouquinhos, pelo quarto. Ela vai me queimando a pele devagar. No princípio, incomoda:

depois vai me enchendo de vida de novo.

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