Marchas, Vitória e Marchas – Parte 1

por J

Saudações pirotécnicas, meus caros! Gostaria de convidá-los a levantar vossas bundinhas da cadeira nessa (talvez) ensolarada tarde de sábado. Sejamos menos preguiçosos por uns instantes. Ando meio sumida dos textos mais densos, eu sei. Meio envolvida em quizilhões de coisas, todas ao mesmo tempo. Mas sinto que não posso deixar escapar esse momento tão propício para falar das manifestações que estão para acontecer em terras belorizontinas neste sábado. São as Marchas – da Liberdade e das Vagabundas. Leiam com carinho, caros docinhos de maracujá.

(Sobre a Marcha das Vagabundas, eu creio que mereça um texto à parte. Farei-o em breve.)

A Marcha da Liberdade nada mais é do que um grito. Em cada canto, esse grito contém diferentes notas e situações. Em todo o país, pipocam manifestações cada vez mais reprimidas, de forma violenta, sem o menor pudor. Pra nossa querida guerrilheira ter virado uma Margareth Thatcher tupiniquim, algo deve ter dado muito errado no meio do caminho. Acompanhem meu raciocínio.

Foto por Izaias Buson

Fica, vai ter bomba! Um chamego gostoso de gás lacrimogênio, cortesia do governo do ES. Foto de Izaias Buson.

Depois das (ó, que calúnia!) acusações de censura (à moda neoliberal), algo importante vem acontecendo nos últimos dias – e óbvio, não ganhou espaço na mídia: as manifestações de estudantes de Vitória, no ES, que lutam pela diminuição das tarifas de ônibus. Oprimidos pelo armamento policial e rechaçados pela opinião pública, os companheiros capixabas vivem um momento decisivo (e muito difícil). O que eu acho mais engraçado é observar a população chamá-los de baderneiros – as mesmas pessoas que vão usufruir dos direitos conquistados por esses calhordas desocupados, certo? Acredito que ninguém que os critica continuará pagando a tarifa aumentada, caso eles consigam abaixá-la. Hipocrisia e incoerência vieram, mandaram um beijo e disseram que passam bem, obrigada.

Se Belo Horizonte avança, a Marcha tem que ir junto. Por aqui, no fuzuê dos cacetetes e dos sprays de pimenta, ela ganha um significado especial, e o nosso Prefeito é convidado de honra dessa festa. Ao invés de “chutarem a bunda dele”, o amabilíssimo senhor Lacerda é que vem chutando as nossas bundas. O que surgiu de uma repressão por apologia às drogas em São Paulo pode – e deve – ganhar novos Contornos por aqui. Além de ser um ato em represália à atitude autoritária que ocorreu durante a Marcha da Maconha, a Marcha da Liberdade deve atentar, também, para questões que envolvem as particularidades de Belo Horizonte (ou Belory Hills, como muito bem traçou o Matheus em seu post). Ora, não é de hoje que a nossa prefeitura iniciou um processo de restrição dos espaços públicos e de higienização social. Alguns movimentos resistem de forma intrépida a essa repressão; se eu quiser chover no molhado, basta citar a Praia da Estação ou o Duelo de MC’s, pontos de resistência à lavação de quintal do nosso amado Marcito. Belo Horizonte precisa discutir – e muito – a questão da liberdade. E é o que vai rolar na Liberdade (a praça), nesse sábado, às quinze horas. Espero encontrá-los por lá.

Por fim, divagando por esses caminhos, meus caros, permitam-me uma última reflexão. Um dia me falaram que o sistema capitalista era tudo de bom, cheinho de democracia:

Ô, e como, hein. E como.

Em algum lugar no tempo, numa galáxia não muito distante, Coronel Zézinho colocou o nome da sua espingarda de “Liberdade de Expressão”.

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