Hoje eu queria

por J

Hoje eu queria dizer tanta coisa. Entoar um mantra, evocar umas forças de mundos maiores, acreditar no transcendente, ter a força do sol.

Hoje eu não queria dizer que sou grande, queria dizer que sou maior que ontem. Queria dizer que consigo, queria dizer “me dá isso aqui”, queria fazer uma estupidez, queria falar um palavrão alto (e falei), queria fechar a cara, aprender golpes indefectíveis de caratê, matar Durango Kid, desviar de balas em movimento.

Hoje eu queria dizer que eu sou brava, sou forte, sou do Norte (de Minas). Hoje eu queria dizer que nasci do trovão, que sou filha de Xangô, que a morte não me abala, que os males não me alcançam. Que o chauvinismo não me incomoda, que a dor não me incomoda, que nada me corrói.

Hoje eu queria dizer que está tudo bem. Mas o problema é que, na verdade, eu estou me sentindo tão diminuta. Pequenininha.

Quase invisível.

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